5 comentários:
De Sérgio a 3 de Setembro de 2010 às 01:20
Considerei o blog uma fonte de boa reflexão.
Após a leitura, o comentário de Isabeau trouxe luz maior a nossa crítica. E posteriormente vi você Alfredo afirmar as reticências de seu texto, grande coisa você fez e isso denota maturidade intelectual e não a pseudo-intelectualidade que se considera acabada.

Abraços do Brasil.


De isabel victor a 31 de Dezembro de 2008 às 02:52
Divirto-me anormalmente com o lúdico e estimulante exercício de pensar. Aliás, já tentei, mas não consigo deixar de pensar ... vício ou mania ?


________ voltando ao assunto: inscrevemos todos os actos da nossa vida numa rede de significações e representações. No processo de construção de sentidos, buscamos identificações ... mas esse processo nem sempre é consciente. Há que afirme que a paixão é uma decisão e não um sentimento. Bem, até pode ser ... mas existem razões que a razão desconhece. Não está tudo pré-determinado (também partilho da opinião de que o destino não existe) mas no processo de construção há muitas coisas que falham ao controle da nossa vontade. Tudo o que somos ... é construído em relação com o outro. Essa alteridade (por vezes desconhecida ) é a chave. Descobrimo-nos, descobrindo ... esse é o encanto. O imponderável da paixão. A insustentável leveza ...



Mas sim, Alfredo, concordo consigo ... tudo é construção. Por vezes, o projecto de uma vida ...


Apreciei o desafio

Criei um elo no meu " Caderno de campo "



De kely oliveira a 9 de Novembro de 2008 às 15:49
Adorei ........estava fazendo um trabalho p/ faculdade e encontrei seu artigo que muito me chamou atenção.
Parabéns!!!


De Isabeau a 28 de Novembro de 2006 às 18:20
Gostava de começar por me apresentar como um desses anormais que gostam de pensar e quentionar as verdades vulgarmente consideradas absolutas. Posto isto, já estará o potencial leitor informado do que pode esperar deste comment. No entanto não deverá pensar que estou plenamente de acordo com o que foi escrito antes. Afinal, nesse caso, dira simplesmente: "Finalmente uma visão correcta do amor" ou "Concordo em absoluto" ou mesmo "Assim mesmo amigo, essa é a realidade, a verdade ainda que não consigas lidar com ela" :)
Acho que a análise feita sobre os contextos espacial, temporal e social está perfeitamente correcta e lógica. Seria mesmo capaz de dizer que o conceito de alma gémea está delimitado, condicionado por por estes contextos e que só existe para uma determinada relação quando estes contextos lhe são favoráveis. Acho igualmente que a transposição de condições da amizade para a relação amorosa não só é possível como é a realidade, assim como todas as outras relações socias, também estas estão sujeitas aos ditos contextos.
Com o que não posso concordar é com a visão da função do amor assim como com o motivo pelo qual se diz que terá surgido.
Nas diversas espécies a monogamia (condição à qual chamamos amor para a espécie humana) terá surgido como forma de assegurar a reprodução em populações densidades populacionais que tornavam improvável o encontro entre pares. Desta forma a monogamia surge como mecanismo de satisfação da necessidade básica que é a propagação dos próprios genes por reprodução sexuada. É considerado assim na actualidade para espécies nestas condições. No entanto se observarmos com mais atenção vemos que espécies com densidades populacionais consideráveis mantêm a monogamia como sistema de organização social (a espécie humana é um bom exemplo, sobretudo se considerarmos grandes centros urbanos). Mas não tenhamos ilusões idílicas sobre o amor animal! Nestas espécies como na humana existem quebras de casal, traições, fugas viuvezes que se superam no encontro com outro par; e a selecção do melhor conjunto de genes, ainda que inconsciente, é uma realidade bem patente!
Com esta possibilidade de motivo para o surgimento da monogamia trona-se difícil para mim considerar que o amor tenha simplesmente sido criado como forma de controlo da sociedade. Posso acreditar, sim, que haja um esforço para o manter como uma peça central do mecanismo da vida com esse objectivo, mas creio que não pode ser mais que um simples aproveitamento de uma situação pré existente que resultava favorável.
Além disto (pode ser biologice minha :) )acho que há sempre em nós algumas coisas perfeitamente inatas, pré determinadas, seja geneticamente seja por qualquer outro mecanismo. Como creio que a reprodução é uma necessidade básica, fisiológica, biológica cabe nesta categoria de faculdades e acções ou sentimentos inatos. Acho que as outras formas de organização em que cabem a poligamia e aos rituais de celebração da fertilidade entre outros representam evoluções da forma de ver a reprodução e a sexualidade numa população que não necessita da monogamia para sobreviver.
Mais ainda, não me parece que este mecanismo de controlo da sociedade pelo amor seja tão eficaz quanto se deixa transparecer no texto, ou seja, não é por amar e estar feliz no campo sentimental que vou deixar de ter atenção aos outros campos e que vou deixar de contestar; e também não é por não amar ou não ser amada que me vou consumir com essa situação a ponto de me alienar de tudo o resto. Sendo isto verdade para mim atrevo-me a dizer que acho que é verdade para a maioria da população humana.
Mudando um bocadinho o rumo do que escrevo (agora já pode ser um pouco de sentimentalismo meu) acho que embora haja contextos que possamos controlar, controlando assim a possibilidade de determinados sentimentos surgirem, não me parece que sejamos capazes de controlar a natureza do sentimento que surge em determinado contexto, parece-me que os sentimentos são algo mais ou menos inato, no qual não é necessário pensar para que surja, algo natural ainda que delimitado e condicionado como toda a natureza. E como tudo pode dar bom resultado e pode dar mau resultado, depende d como é explorado e d quano dependemos dele em cada momento. Enfim não lhe pinto tão má cara nem lhe atribuo tanta frieza, afinal as possibilidades que o amor oferece na dedicação e entrega a um objectivo são inegáveis e o seu valor inestimável! Eu diria mesmo que é imprescindível à luta, à contestação a cumprimento de objectivos e é sem dúvida, elemento essencial e central da Revolução.
Mudando de assunto, gostei de ter que pensar nisto :) Obrigada amigo! Por algum motivo gosto tanto de conversar contigo!

Beijinhos
Ana Martins
05 de novembro 21:32

(landofutopia.spaces.live.com a 05/11/06)


De Alfredo a 24 de Janeiro de 2007 às 12:24
Bom, retiro alguns dos aspectos que coloquei. Basicamente, mantenho tudo o que referi no que respeita à conceptualização das relações amorosas enquanto relações sociais. Por outro lado, retiro o que disse sobre a função do amor nas sociedades.

Maus tempos quando escrevi isto inicialmente... Ainda tenho de pensar mais nisto...


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