3 comentários:
De Bruno C. a 15 de Junho de 2007 às 23:55
Muito bem estruturado e claro. Claro no sentido de clareza de raciocíno, e não de tonalidade como que a querer fazer crer que um texto claro é melhor que um escuro. Bom trabalho.
Bruno C.


De HBesteiro a 8 de Agosto de 2007 às 15:40
então pá? encerraste o tasco?


De josferr a 25 de Outubro de 2007 às 20:43
Olá Alfredo. Estou de acordo contigo num aspecto: o patriarcado e a desigualdade de classes são formas de opressão que coexistem e alimentam-se mutuamente. O fim de um só se levará a cabo com o fim do outro, pondo em causa todas as formas de opressão. Pese a que as minhas leituras, pelo facto de saltitarem entre temas e disciplinas do conhecimento, não se concentram o suficiente neste campo para te poder responder cabalmente a este texto.
Mas queria sublinhar algumas coisas que considero importantes.
1) A desigualdade de classes é diferente da desigualdade de sexos. Não posso concordar com Engels quando afirma que “o primeiro antagonismo de classes que apareceu na História coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre homens e mulheres na monogamia”. Se concordasse teria de aceitar que os homens e as mulheres pertenceriam a classes distintas; coisa a que fortemente me oponho.
2) O teu argumento que o patriarcado é posterior à sociedade de classes é muito questionável. Como bons marxistas teriamos de fazer uma análise histórica (que nos falta e que eu não vou aqui fazer e por falta de fontes). Retomando a afirmação de Engels entendo que o primeiro antagonismo de classes foi o patriarcado, ou seja os dois aparecem simultaneamente. Mas como já afirmei que os dois não são a mesma coisa, este argumento deveria ser revisto.
3) Em termos de hipóteses sou levado a crer que o patriarcado tem origem na natureza biologica da especie humana. A taxa de reprodução dos mamiferos depende do número de fêmeas e é praticamente dependente do número de machos. Ou seja, a sociedade - biologicamente - tende a proteger as suas fêmeas do meio exterior. Isto quer dizer que as relações no seio da família (intra-familiares) foram atribuídas à mulher e as relações publicas (inter-familiares) foram atribuídas ao homem.
Com o desenvolvimento das sociedades, cuja matriz patriacal se manteve até aos dias de hoje, passaram-se dois fenómenos que provocam a ruptura nesta relação. Em primeiro lugar a sobrevivencia da especie humana depende cada vez mais da tecnologia e não do número de individuos; isto quer dizer que a relação atrás explicada ficou obsoleta. Em segundo lugar, as relações inter-familiar, com o desenvolvimento das sociedades e da sociedade capitalista em particular, foram mercantilizadas e, por isso, valorizadas em relação às relação às relações intra-familiares. Por essa razão o papel da mulher foi desvalorizado no seio da família.
Só assim se pode entender a afirmação que uma vez ouvi à Odete Santos que a situação da mulher em relação ao homem era melhor na idade média que no capitalismos. Porque na primeira o trabalho doméstico era socialmente equiparado ao trabalho agrícola; no capitalismo o trabalho doméstico não tem valor.
Abraço e até breve


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