Terça-feira, 6 de Março de 2007
Nada será como antes...: das mudanças interrompidas e do reinício.

"Tem sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos...
Mas o que é importante não muda; a tua força e convicção não têm idade.
O teu espírito é como qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.
Enquanto estejas viva, sente-te viva.
Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas...
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quanto não consigas correr através dos anos, trota.
Quando não consigas trotar, caminha.
Quando não conseguires caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas"
(não digo o autor, é uma vergonha, mas o texto serve o propósito)


Bom, serve este pequeno textito para dar início a novo artigo, mais uma vez sobre a mudança. Desenganem-se se vos ocorrer que um artigo sobre a mudança remeta para o anterior artigo relativo a mudança e enamoramento; aqui, interessa-me somente a mudança por si só, o enamoramento terá que ficar para depois (embora se perspective um exercício interessante, ligar os dois artigos...)

Quiçá esteja sempre a vir à baila porque, embora se reconheça a necessidade de dadas mudanças em determinados momentos, ela seja sempre difícil de aceitar, portanto sendo muitas vezes adiada.
Ou talvez porque por vezes é aceite a cabo, mas algo de interessante surge e o indivíduo acaba por lhe dedicar mais do que o "suposto", e adia as mudanças que operáva, por algo que poderá ou não valer a pena. Mais ainda que valha muito, se interrompe tal importante processo, então o seu valor perde-se na inconsistência.
Talvez porque o indivíduo não tivésse efectivamente aceite a mudança, e somente o fizésse por saber que tinha de ser, embora não o desejásse.

"Que se acautelem os resistentes crónicos às mudanças, os que temem perder o seguro pelo inseguro, os que se fecham na sua concha por medo dos contágios e das contaminações com a diferença e o desafio, os que amealham pela segurança, os que nunca arriscam com medo de se desintegrarem ou perderem referências, os que não se aventuram em caminhos desconhecidos e se guardam cuidadosamente do imprevisto. Porque, no fim, mesmo os mais cautelosos e apegados à eternidade das suas crenças e dos seus hábitos, estarão diferentes."
(Ana Vieira e Castro, jornalista)

O que interessa, efectivamente, é a contradição entre impulso e resistência à mudança. Porque se acumulam tensões, frustrações, insatisfação, vazio, falta de sentido, é sentida necessidade de mudar algumas coisas. No entanto, a pessoa resiste fortemente a essa mudança, porque o desconhecido é sempre assustador, face a algo que embora insatisfatório, é conhecido. Porque embora possa desagradar, é sempre mais fácil acomodar-se com os seus defeitos e insatisfações, que levar a cabo a dificil tarefa de se explorar e descobrir o que se perdeu, quando e onde (tal como, é preferível o inferno conhecido que o paraíso desconhecido).

E é uma tarefa dificil porque envolve deixar para trás coisas que lhe são caras, modos de ser e viver, recordações, alegrias e tristezas, essencialmente uma forma de ser e estar a que há muito está habituado e com a qual se sente protegido, ainda que insatisfeito, trocando-a por um caminho desconhecido, que embora promissor e desejável, é pavorosamente intangível.

Portanto, vai adiando, e adiando, e adiando. É facil. É facil, quando o indivíduo já está a mudar o que o desagrada, encontrar um qualquer motivo que faça adiar uma vez mais. Porque está tenso e insatisfeito, sente necessidade de outras coisas, começa a percorrer esse caminho, mas como talvez não tenha sido ainda acumulada insatisfação suficiente para não mais parar, algo interessante surge e, como a energia para se dedicar a algo não é infinita, desloca a energia que aplicáva à mudança para este novo elemento que surgiu. Como se pudesse, de algum modo, por interessante que seja, substituir as mudanças de que necessita.

Mas não pode. Nada pode. Quando muito pode complementar, ou vir por arrasto com a mudança, mas não se lhe pode substituir. E a pessoa até se pode enganar a si própria, convencer-se de que já levou a cabo a mudança e agora está a viver uma coisa nova, ou então que esta novidade é importante e necessária à mudança. Até pode, em dada medida ser, mas não é fundamental, embora por vezes possa parecer; mas essencialmente parecer-lhe-á porque lhe permite uma vez mais adiar, como diz o povo, "o pior cego é o que não quer ver".

Embora possa ir adiando, a tensão volta a acumular-se e sentirá novamente a necessidade de retomar o processo. Até pode ir fazendo pequenas mudanças, que dêm algum tempo de satisfação, mas ao não transformar o essencial, a insatisfação voltará cedo ou tarde. E, espera-se, retoma o caminho, hipoteticamente desta vez até ao fim.

Como explicitado na trancrição acima, goste-se ou não, a vida muda e exige mudança. Desta forma, a questão não é se se muda ou não, mas como se encara a mudança. Pode fazê-lo resistindo e usando a sua força para fazer prevalecer a nossa vontade, ou escolhendo tornar-se maleável e deixando-se fluir com o processo. Uma coisa é certa, parece-me, quanto maior fôr a resistência à mudança, numa tentativa de manter o controlo sobre todos os acontecimentos da vida, maior será, cedo ou tarde, o embate e a tensão causada pelo desgaste de nadar contra a corrente.

Assim, se é inevitável, o fundamental é o indivíduo ser capaz de aceitar como positivo e nadar, não contra, mas com a corrente. O problema é que muitas vezes não dá pela necessidade de mudar, ou vai resistindo, e quando depois se torna inadiável, está paralisado.

Porque embora haja mudanças súbitas e terríveis, como o falecimento de alguém ou a perda do emprego, há mil e uma pequenas coisas que vão afectando a pessoa sem que dê por isso, particularmente os que mais obstinadamente resistem.
Sejam os amigos sejam os inimigos; sejam as pessoas com quem se cruza e lhe dão uma palavra, um gesto, um momento, ou as que o agridem ou magoam; uma conversa, uma imagem, um acontecimento. Tudo se vai inculcando, ainda que o empurre para o fundo da consciência.

E tudo se vai acumulando, até chegar a um momento de insatisfação total que não sabe de onde vem, trazido por uma sucessão de acontecimentos que se perde no tempo, e dá por si a desejar ardentemente mudar tudo, que qualquer coisa aconteça, livrando-o do exasperante impasse em que nada acontece. Tudo parece vazio e sem sentido, insatisfatório, esgotado, entediante, prendendo-o a uma realidade que já não lhe serve.

Embora estas crises existenciais muitas vezes pareçam incompreensíveis, não sabe de onde vêm, como já visto resultam não de um acaso, mas de uma sucessão de factores acumulados. Portanto, as ditas crises totais dar-se-ão principalmente naqueles que acumulam tudo e resistem, confiantes na sua força. Mas que força é essa que, valendo-o nuns momentos, cedo ou tarde o lança no desespero? Não é força, é fraqueza...

Portanto, as crises que parecem não vir de lado algum, na verdade vêm de todo o lado, porque vêm do fundo do seu ser, vêm, por assim dizer, de uma história de vida acumulada. Como se de um aterro sanitário se tratasse, vêm de todas as insatisfações, desilusões, tristezas, sofrimentos, todo o lixo que infelizmente perspassou a sua existência, acumulado. Acumula porque é forte, porque não quer coisas novas que abalem as suas confortáveis certezas, até que, como visto em tudo o anteriormente escrito, essas certezas vão por água abaixo. Porque qualquer aterro é limitado, cedo ou tarde o lixo começa a transbordar e damos de caras com ele, feio, podre, nauseabundo.

Espero que convença, a quem precise de ser convencido, que os aterros sanitários estão fora de moda, e que o que se faz hoje em dia é reciclar. Portanto, aproveitar a energia negativa acumulada e torná-la positiva, encarar as mudanças como algo de bom, libertar-se das certezas que tanta incerteza trazem um dia e... viver.



Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006
Normas sociais, alienação e mudança


Há uns tempos uma amiga tinha como seu nome no messenger a seguinte frase, ou algo parecido: "Todos nascemos diferentes, e tornamos-nos iguais ao longo da vida". Tenho andado a pensar nisto, e decidi-me por deixar aqui algumas ideias, para quem quiser pensar um pouco, nomeadamente sobre si próprio e sobre a sua vida... Como dito noutro post, escrevo para anormais, porque os normais não questionam nada.


Que a sociedade tem regras, imagino que não seja novidade para ninguém. Estas regras manifestam-se formalmente nas diversas leis, que afinal mais não são que normas e valores sociais postos no papel, ou por outras palavras, a formalização escrita das regras sociais necessárias à coesão o funcionamento ordeiro da sociedade. Além disso, existem igualmente regras não formais, valores e normas que não chegam ao papel, mas que cumprem propósitos semelhantes.

Até aqui, tudo muito simples. A questão relevante, no entanto, respeita a todo o conjunto de regras (regras em termos de valores e normas, para simplificar) que não são de facto indispensáveis ao simples funcionamento da sociedade, em sentido lato, mas que ainda assim existem. Mas se assim é, então existem para quê?

Existem para homogeneizar os indivíduos, alienando-os, para reforçar a aceitação do sistema social vigente. Ou seja, existem não somente para manter o funcionamento da sociedade, mas impedir que se transforme noutras formas de funcionamento ou, para ser mais específico, noutra forma de sistema social.

E porque é que o sistema necessita de homogeneizar e alienar os indivíduos? Porque quanto mais "iguais" uns aos outros forem, quanto mais semelhantes forem sonhos, objectivos, interesses, modos de vida, etc, menos o indivíduo se questionará sobre formas alternativas. Fala-se anteriormente dos indivíduos em si mesmos, mas no plano colectivo é que se encontra o cerne da importância da alienante homogeneização: quanto menos os indivíduos se questionarem a si próprios, menos questionarão o que os rodeia, portanto em ultima análise menos questionarão o sistema social vigente.

Portanto, o sistema precisa, para (sobre)viver, de nos tornar a todos muito "iguaizinhos" uns aos outros. Ou seja, precisa que o maior número possível de indivíduos aceite uma mesma forma de vida que, para que nada questionem, interessa que seja fútil, vazia de sentido, estupidificada ou, para usar um conceito mais exacto, alienada.

Daqui advêm regras sociais informais, mais ou menos explícitas, que têm por objectivo a nossa alienante estupidificação. E é por isto que, nascendo todos diferentes, acabamos por lentamente nos tornar todos iguais (ou não, é como a utopia...), porque o sistema de tal necessita para se manter.

Todos já tivemos sonhos, objectivos ou simplesmente interesses (para mim a distinção prende-se com o prazo a que podem ser alcançados) dos quais desistimos. Já desejámos modos de vida dos quais abdicámos. Uns teriam gostado disto, outros daquilo, etc. E desistimos. Porquê? Porque não eram comuns, porque eram diferentes do que nos é ensinado a sonhar e ter como objectivo, porque eram diferentes do que nos enfiam na cabeça que deve ser o nosso modo de vida, porque eram interesses que os normais não têm. Falamos de regras, portanto. Regras que definem o que é normal e o que não é.

O que é normal é tirar um curso ou arranjar um trabalho. O que é normal é encontrar a pessoa da nossa vida. O que é normal é casar com ela (de preferência pela igreja). O que é normal é ter filhinhos. O que é normal é trabalhar a vida toda. O que é normal é educar os nossos putos a serem iguais a todos os outros. O que é normal é deixar-lhes alguma coisinha quando morrermos... É isto que é normal, o cerne da nossa individualidade, se disto difere é anormal, e deve portanto ser corrigido. E as regras existem para impingir esta insípida normalidade.

De quanto já desistiu cada um de nós, da nossa identidade individual, do que fazia de cada um um ser único, para se encaixar nesta sociedade idiota? Um gostaria de viajar pelo mundo, sobrevivendo de biscates, mas isso não é vida para ninguém... Outra gostava de pintar o corpo feminino nú, mas diziam-lhe que era pornográfico... Ainda outro gostaria de ir para algures onde, ainda que pobre, seria útil a alguma causa, mas isso são delírios da juventude...

E porque é que desistimos? Porque as regras não se limitam a existir, independentemente da nossa aceitação ou não. São-nos impostas coercivamente. Afinal, se o sistema tanto de tal necessita, não poderia simplesmente ficar à espera que as aceitássemos ou não. Assim sendo, impinge-as, pressiona implacavelmente para que as aceitemos.

A maioria, de facto, aceita-as sem minimamente se questionar. Para esses tudo é simples, nunca se perguntam sobre como mil coisas poderiam ser diferentes. Abençoados sejam os pobres de espírito, pois deles será o Reino dos Céus... ou não. De qualquer modo, já devem ter desistido de ler isto, portanto não importa.

Ainda assim, um número razoável desenvolve formas mistas de reagir às coercivas regras sociais. Basicamente, aceitam o conjunto de regras que lhes é menos conflituoso, mantendo alguma da sua especificidade. Aceitam o estudo, aceitam o trabalho, aceitam a família, mas encontram formas de manter parte da sua individualidade: encontram escapatórias, bunkers da individualidade, formas de se manterem fiéis a si próprios, muito embora aceitem boa parte do que lhes é impingido. Por exemplo, criticando e combatendo o próprio sistema que esmaga ou esmagou parte de si próprios, desenvolvendo meios de afirmar a sua especificidade em dadas alturas e contextos, indo contra determinadas regras quando tal não lhes é demasiado conflituoso.

Acho que, na verdade, estes são os que melhor se safam na vida: por um lado absorvem a parte das regras que lhes é mais aceitável, por outro encontram meios de rejeitar as que lhes são mais coercivas, mantendo assim parte da sua individualidade.

Pelo contrário os que pior se safam, são os que resistem tanto quanto podem, pois nada lhes é aceitável... e quando não mais o podem fazer, acabam por criar as suas próprias regras pessoais, para conseguírem suportar as regras da sociedade. São duplamente miseráveis, já que se impõem um duplo conjunto de regras, as do sistema e as suas próprias, as segundas para tornar as primeiras suportáveis.

Até se podem virar inequivocamente contra o sistema, aceitam-no combatendo-o, mas a auto-alienação a que se impuseram, a rígida e racional disciplina que impõem a si próprios para que a vida seja tolerável, jamais lhes trará qualquer felicidade. Porque vivem num limbo, nem aceitam a sociedade nem se aceitam como são. Qual estátuas, friamente vêm a vida passar, sem por nada serem afectados, pois nada fere o que já está morto.


Talvez vivam mortos para sempre... Ou talvez tenham sorte, e algum(ns) acontecimento(s) ocorra(m) que lhes quebre a frieza, que lhes abale a racionalidade, que lhes desmorone a disciplina.

Olharão para trás e verão tudo o que perderam, não porque não lhes foi dado, mas porque se obrigaram a não aceitar. Recordarão o tempo passado com a estupefacção de quem se apercebe de realidades que se obrigara a esquecer. Lembrar-se-ão do que eram, comparando com o que se obrigaram a ser.

O conflito pode ser tal, que não resistem. Já viveram tanto tempo uma não-vida, que o recomeço é uma ideia insuportável, sendo mortos-viventes, entre renascer e morrer de vez, a ultima é mais fácil.

Outros têm a força para recomeçar. Muito tempo poderá passar, enquanto lentamente se redescobrem, aos poucos, um dia de cada vez, construindo de novo a sua identidade. Aprenderão a aceitar-se, mas nunca aceitarão a sociedade que se lhes impõe, já que nela nunca deixarão de ver a origem da sua auto-destruição. Encontrarão o equilíbrio necessário, aceitarão o que tiverem de aceitar, mas à passada frieza advirá a calorosa fome de viver.

Moral da história: a miserável sociedade em que vivemos, por sua vontade ou nos estupidifica ou nos destrói. Cabe a cada um encontrar em si e noutros a força para resistir. Se tudo tentar recusar, ou definhará, ou acabará como este último exemplo: recusar-se-á a si próprio e definhará à mesma. Cada um terá que encontrar o seu ponto de equilíbrio, para viver a sua vida tal como a deseja sem ser alienado nem se auto-alienar de si mesmo. Quem já foi totalmente alienado, não terá lido isto até ao fim; quem já encontrou o equilíbrio, ainda bem que o conseguiu, quem não o encontrou, espero que o venha a conseguir.

foto: http://www.dr-rath-foundation.org.za/



Terça-feira, 28 de Novembro de 2006
Notas sobre mudança individual e personalidade

Como se dá a mudança na vida de um indivíduo? Como reage o indivíduo à mudança que vive, voluntariamente ou em virtude de factores externos? Parece-me que tal depende antes de mais da forma de ser/estar de cada um, no entanto o fundamental para começar é: de que mudança estamos mesmo a falar?

Isto porque será diferente a mudança de determinado aspecto da vida de um indivíduo, da mudança de vários aspectos, mas sobretudo da mudança no próprio indivíduo. Por enquanto, tomar-se-á como semelhante a reacção de um indivíduo a uma mudança por si próprio impulsionada, e a reacção a uma mudança que o indivíduo é levado a viver ainda que contra a sua vontade.

Tratando-se da mudança em dado aspecto da vida, por importante ou central que seja, penso que o indivíduo reagirá de acordo com as características fundamentais da sua maneira de ser. Admitindo, claro, que nada é tão linear e que as personalidades aqui explanadas são extremos, sendo portanto que na realidade ambas se encontram na generalidade dos indivíduos, uma e outra com determinado peso.

Desta forma a pessoa espontânea e emotiva, que age impulsivamente, tenderá à mudança rápida, carregada de emoção e imediatismo, rumo ao que no imediato considera ser o melhor para si. Ainda que por vezes seja atravessada por momentos de dúvida acerca das suas escolhas, a sua impulsividade leva-a a descartar as dúvidas e seguir em frente. E como segue em frente, poucas vezes pára para se questionar, as dúvidas são cada vez menos frequentes: a mudança dá-se rapidamente e o indivíduo adapta-se ao novo contexto.

Por outro lado, a pessoa racional e contida, que tudo planeia, tenderá a uma mudança lenta e esquematizada, muito bem pensada para que a mudança decorra exactamente da forma que pretende, rumo ao que pretende. Ao contrário da anterior, devido às permanentes interrogações que faz a si própria, a dúvida não se faz de momentos, sendo antes uma constante de todo o processo de mudança. Dada a necessidade de certezas para agir, e à presença de dúvidas constantes, a mudança é lenta e a reacção do indivíduo muitas vezes penosa, uma vez que as certezas que procura serão muitas vezes inatingíveis. O indivíduo acaba por, mais que ser um agente da sua mudança, ser um observador que somente retoma a acção quando a dúvida se torna insustentável e a mudança total e absoluta uma tarefa inadiável.

Tratou-se até aqui da forma como a personalidade interfere na mudança num dado aspecto da vida de um indivíduo. Importa agora equacionar a forma como o indivíduo pode levar a cabo um processo de mudança na sua própria personalidade, antes que se chegue ao ponto fundamental: como pode um indivíduo inserido num processo de mudança, mudar também a sua personalidade face à mudança que enfrenta?

foto:http://www.hprt-cambridge.org/Layer3.asp?page_id=62



Essencialmente, para o que me for apetecendo. Ideias sobre a sociedade, coisas da sociologia, análise de questões políticas... Comentários à actualidade, assuntos pessoais relativizados e quando me apetecer, também dá para chatear alguém.
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Sociólogo, 28 anos, residente em Coimbra. Bolseiro de investigação na área do insucesso e abandono escolares no Ensino Superior. Mestrando em "Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo".
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