Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006
Põe-te a andar...pá!!

Muda de Partido, se tu não militas satisfeito
Muda de Partido, já é tempo de mudar
Muda de Partido, não deves lá estar contrafeito
Muda de Partido, se há revisionismo em ti a latejar

Ver-te trabalhar, eu nunca te vi
E a discutir, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser revisa?...

Muda de Partido, se tu não trabalhas satisfeito
Muda de Partido, estás sempre a tempo do PS
Muda de Partido, não deves lá estar contrafeito
Muda de Partido, se o centralismo não é p'ra ti

Respeitar decisões, eu nunca te vi
E dizeres-te leninista, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser revisa?...

Olha que o Partido não, não é nem deve ser
Como a tua ambição gostaria, que pudesse ser
Olha que o Partido não, não é nem deve ser
Como os revisas desejariam, que pudesse ser

Muda de Partido, se tu não militas satisfeito
Muda de Partido, já é tempo de mudar
Muda de Partido, não deves lá estar contrafeito
Muda de Partido, se há revisionismo em ti a latejar

foto:http://members.shaw.ca/tom.t/unh/u18.html



Terça-feira, 28 de Novembro de 2006
Sobre a construção social das relações amorosas

O que é isto de construção social do amor?!? Pensarão talvez alguns que este rapaz não regula bem... Então não saberá que o amor é uma dádiva, ignorará que a cada pessoa outra lhe corresponde, que o amor para uma vida toda é um facto indesmentível, que infindáveis exemplos demonstram existir "a pessoa da minha [nossa] vida"?!? Será frustrado, pseudo, ou simplesmente pírulas?!?

Frustrado, nem por isso, pseudo acho que não, pírulas...bom, depende dos parâmetros sociais a partir dos quais me julguem: num sistema social em que a normalidade corresponde geralmente a acefalia, tenho muito gosto em ser un petit peu anormal.

A quem acredita no descrito no primeiro paragráfo, bom, diria que são os normais do segundo parágrafo. Se a vossa ingenuidade vos faz feliz, ainda bem, já o Cristo disse "abençoados sejam os pobres de espírito, pois deles será o Reino dos Céus" (que também só existe, nem sequer para os normais, mas para os super-normais mesmo).

Escrevo para os anormais que quiserem questionar alguns dados adquiridos e pensar um bocadito, e deixo algumas ideias que, espero, ajudem a reflectir sobre este belo tema a que ninguem é indiferente, l' amour. A quem achar isto suficientemente interessante ou desinteressante e quiser deixar uma notinha sobre o tema, está mais que convidado para o fazer.

Começo por desde já dizer que encaro as relações amorosas como qualquer outra relação, por exemplo de amizade. São socialmente construídas, enquadradas em contextos sociais e históricos, que em dada situação temporal e espacial permitem que uma situação de afinidade, resultante do background indidual de duas pessoas, geram uma relação social mais profunda, seja de amizade ou de amor. Ou seja, duas pessoas portadoras de percursos de vida que de algum modo as tornam potencialmente próximas (mas nem têm de ser iguais, nêm diferentes) podem, em dado contexto, aproximar-se o suficiente para, por exemplo, gerarem uma relação de amizade.

Mas depende sempre do contexto. Duas pessoas potencialmente próximas podem nunca se encontrar devido ao contexto espacial. Ou podem ter redes sociais totalmente distintas, e embora se conheçam nunca se chegam a aproximar. Mas pensemos agora em dois excelentes amigos: dura necessariamente para sempre? Parece-me óbvio que não.
Supondo primeiramente dois bons amigos que deixem de se encontrar, por exemplo porque um muda de cidade: a simples alteração do contexto espacial não dilui necessariamente a amizade, podendo até reforça-la, mas pode igualmente acarretar a prazo uma mudança nos seus contextos sociais individuais que dilua, e a prazo torne inviável, a sua prévia relação social.
Ou dois amigos, em que cometa actos que trespassem o contexto em que a sua relação assenta, distorcendo o dito contexto a ponto de deixar de existir uma base comum em que se edifique a amizade.
Se não há, necessariamente, amizades de uma vida toda, então devem necessariamente ser socialmente construídas: basicamente, surgem de um contexto, e os contextos necessariamente alteram-se ao longo da vida; ou a relação se adapta aos novos contextos emergentes, ou inevitavelmente termina (rapida ou lentamente), ainda que pouco antes tal pudesse parecer impensável. É este o ponto fulcral: o contexto, a sua alteração, e adaptação dos indivíduos/relação ao novo contexto.

Ora, trata-se agora somente de tranportar esta análise para as relações amorosas. Aos que acreditem no amor como algo "etéreo", espiritual, ou algo do género, provavelmente nunca conseguirão perceber a minha forma de ver a coisa, a não ser que consigam despir-se dos parâmetros sociais que há muito têm inculcados.
Porque é que duas pessoas aparentemente "feitas uma para outra", um dia terminam a sua relação? Eram feitas uma para a outra, tinham projectos em comum, edificavam a sua vida em conjunto, porque termina? Porque afinal não eram as respectivas almas-gémeas? Nada disso. Apenas porque o contexto em que se edificou a sua relação amorosa de algum modo se alterou, não se tendo alterado a relação de forma correspondente. A pessoa da nossa vida não é uma especificamente, divinamente determinada, mas somente aquela com quem passamos a nossa vida, porque a nossa relação se consegue adaptar continuamente aos novos contextos em que se desenvolve.

Se perguntar-mos a pessoas que há muito estejam juntas, não acredito que tenha sido o chamado amor à primeira vista. Ora se não foi, então não eram necessariamente feitas uma para a outra: gerou-se sim um contexto que tornou possível o início da sua relação, tendo esta depois sido capaz de se adaptar a novos contextos.
Por outro lado, se um casal de bons amigos um dia começa uma relação amorosa, não é isto demontração do papel fulcral do contexto? Se fossem feitas uma para a outra, não teriam sido amigos pois a relação amorosa teria desde logo nascido. No entanto, o que se dá é uma alteração nos contextos individuais de cada um e no contexto colectivo dos dois amigos, que os aproxima o suficiente para despoletar o início de uma relação amorosa.
Doravante, a relação daí nascida pode ou não adaptar-se aos novos contextos que sem dúvida irão surgindo, mantendo-se indefinidamente ou findando. Por exemplo, a já referida alteração no contexto espacial, com a mudança de cidade de um dos membros do par amoroso, pode reforçar ou terminar a relação, ainda que previamente tal parecesse impossível. Ou se se altera o contexto profissional, e daí temporal, levando a que tenham horários totalmente diferentes, o pouco tempo que passam juntos pode terminar ou reforçar a relação.

Porventura alguns perguntarão agora: algo tem de ser diferente, pois se a relação amorosa fosse simplesmente uma relação social equiparável a uma relação de amizade, então não haveria amor. Pois, e não há mesmo.

O que há é uma predisposição socialmente construída, uma norma apreendida junto com tantas outras no processo de socialização de cada indivíduo. Deixados a nós próprios, construiríamos as relações sociais de cooperação necessárias à nossa existência, sem qualquer ideia de amor, e alegremente copularíamos para assegurar a reprodução da espécie, são esses os nossos imperativos. Além disto, tudo é construído pela sociedade. Doutra forma, não teriam existido outras formas de organização das relações sociais, não teriam existido as primeiras comunidades de cooperativismo absoluto, não teriam existido os rituais de celebração da fertilidade, etc.

Tal demonstra que a ideia que temos de amor e das correspondentes relações, não existe desde sempre, sendo portanto construída. Porquê? Porque é mais facil o controlo de pares separados do que de comunidades, motivo pelo qual, com grande papel da igreja (sim, uma vez mais a igreja), foi sendo construída uma doutrina assente na lógica do amor, ao longo dos séculos inculcada culturalmente e tornada inquestionável (ou não, é como a utopia). Por um lado, quem tem o "amor da sua vida" tolera mais facilmente os defeitos da sociedade, contestando menos; por outro quem não o tem, procura-o ou afunda-se, igualmente contestando menos. Uma vez mais, se convivessemos intensamente e tudo partilhássemos, estariamos sempre alerta para os males do sistema, e mais facilmente resistiriamos; por outro lado, fechados em pares, fecha-se a nossa percepção social.

É esta a função social do amor nas sociedades. Controlo. Poder. Reprodução social. É-nos culturalmente inculcado, amamos porque a isso fomos ensinados, ficamos felizes quando amamos por é o que é suposto, desesperamos quando não o temos porque haverá por aí alguém que é feito para nós, mas quem é, mas onde anda...desespero, inércia, apatia social, que é o que é preciso.

Por outro lado, e depois de tanto dar na ferradura, há ainda assim um cravo onde bater. Como quase tudo no sistema, também o amor pode ser usado contra o sistema social vigente. Não, não sou anarquista, o Estado oprime mas pode ser usado contra o sistema, e de igual forma também a opressiva noção do amor pode ser usada. Porquê? Porquê, se tanto mal disse deste malfadado conceito? Porque o afastamento também nada resolve. Tal como o afastamento inerte do punk (se é que isso ainda existe realmente, outra discussão talvez) não muda nada, a recusa do amor também não. Não amam os comunistas? E não são fortalecidos no seu amor? Não é por termos a noção de que algo é socialmente construído, que não o podemos aproveitar; o que não podemos é ser estupidificados por conceitos construídos e socialmente inculcados. Mesmo porque tal como o Estado, ou o sistema capitalista em geral, persistir por muito que alguns se queiram manter à margem do processo social, também o amor enquanto relação social se mantém ainda que alguns porventura o pudessem recusar.

foto:http://thecrobard.propagande.org/pages/galery/couple.html



Notas sobre mudança individual e personalidade

Como se dá a mudança na vida de um indivíduo? Como reage o indivíduo à mudança que vive, voluntariamente ou em virtude de factores externos? Parece-me que tal depende antes de mais da forma de ser/estar de cada um, no entanto o fundamental para começar é: de que mudança estamos mesmo a falar?

Isto porque será diferente a mudança de determinado aspecto da vida de um indivíduo, da mudança de vários aspectos, mas sobretudo da mudança no próprio indivíduo. Por enquanto, tomar-se-á como semelhante a reacção de um indivíduo a uma mudança por si próprio impulsionada, e a reacção a uma mudança que o indivíduo é levado a viver ainda que contra a sua vontade.

Tratando-se da mudança em dado aspecto da vida, por importante ou central que seja, penso que o indivíduo reagirá de acordo com as características fundamentais da sua maneira de ser. Admitindo, claro, que nada é tão linear e que as personalidades aqui explanadas são extremos, sendo portanto que na realidade ambas se encontram na generalidade dos indivíduos, uma e outra com determinado peso.

Desta forma a pessoa espontânea e emotiva, que age impulsivamente, tenderá à mudança rápida, carregada de emoção e imediatismo, rumo ao que no imediato considera ser o melhor para si. Ainda que por vezes seja atravessada por momentos de dúvida acerca das suas escolhas, a sua impulsividade leva-a a descartar as dúvidas e seguir em frente. E como segue em frente, poucas vezes pára para se questionar, as dúvidas são cada vez menos frequentes: a mudança dá-se rapidamente e o indivíduo adapta-se ao novo contexto.

Por outro lado, a pessoa racional e contida, que tudo planeia, tenderá a uma mudança lenta e esquematizada, muito bem pensada para que a mudança decorra exactamente da forma que pretende, rumo ao que pretende. Ao contrário da anterior, devido às permanentes interrogações que faz a si própria, a dúvida não se faz de momentos, sendo antes uma constante de todo o processo de mudança. Dada a necessidade de certezas para agir, e à presença de dúvidas constantes, a mudança é lenta e a reacção do indivíduo muitas vezes penosa, uma vez que as certezas que procura serão muitas vezes inatingíveis. O indivíduo acaba por, mais que ser um agente da sua mudança, ser um observador que somente retoma a acção quando a dúvida se torna insustentável e a mudança total e absoluta uma tarefa inadiável.

Tratou-se até aqui da forma como a personalidade interfere na mudança num dado aspecto da vida de um indivíduo. Importa agora equacionar a forma como o indivíduo pode levar a cabo um processo de mudança na sua própria personalidade, antes que se chegue ao ponto fundamental: como pode um indivíduo inserido num processo de mudança, mudar também a sua personalidade face à mudança que enfrenta?

foto:http://www.hprt-cambridge.org/Layer3.asp?page_id=62



Essencialmente, para o que me for apetecendo. Ideias sobre a sociedade, coisas da sociologia, análise de questões políticas... Comentários à actualidade, assuntos pessoais relativizados e quando me apetecer, também dá para chatear alguém.
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Sociólogo, 28 anos, residente em Coimbra. Bolseiro de investigação na área do insucesso e abandono escolares no Ensino Superior. Mestrando em "Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo".
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