Segunda-feira, 7 de Maio de 2007
A URAP estreia a sua página na net

A União de Resistentes Antifascistas Portugueses estreou, simbolicamente no passado dia 25 de Abril, a sua página na internet. Podem consultá-la em http://www.urap.pt

Nesta página podem conhecer a URAP, a sua história e actuais actividades, posições públicas, actividades dos seus núcleos regionais, bem como uma interessante secção cultural, com poesia, livros e outros.

Um sítio muito útil para todos/as que partilham os ideais antifascistas, para quem não é de reduzida importância a crescente visibilidade da extrema-direita em Portugal, mas também para todos/as que somente tenham algum interesse em conhecer esta já antiga associação.

Além disso, realizou-se no passado sábado, 5 de Maio, em Lisboa, no Museu Republica e Resistência, o primeiro Encontro Nacional de Núcleos da URAP. Foi sem dúvida um enriquecedor momento de troca de ideias, opiniões e experiências, quer para os mais antigos membros quer (talvez sobretudo) para aqueles que, como eu, apenas recentemente decidiram aderir à URAP.

Houve a oportunidade para conhecer a actividade geral da associação, mas de grande importância foi a possibilidade de aprender com todos os núcleos já existentes, trocar experiências relativas à actividade dos núcleos da URAP, traçar linhas de trabalho em vários campos, definir os melhores caminhos para alargar ou reactivar núcleos, entre outras matérias.

No Encontro, foi igualmente aprovado um comunicado que seguidamente se transcreve:

"1. A URAP expressa a sua preocupação pelas insistentes actividades de grupos e forças que se afirmam de cariz fascista, com expressão estranha ao regime democrático português, garantido pela Constituição da República.


2. A URAP considera que essa propaganda, com elogios ao III Reich e exibição da sua simbologia, da cruz suástica e da saudação nazi, se insere directamente no ideário que ficou designado na história política da Europa do último século como nazi-fascismo e que se concretizou nas mais cruéis atrocidades cometidas no nosso continente a partir do poder de Estado.


3. No entender da URAP não se trata apenas de saudosismo ideológico.

A URAP considera que os agrupamentos neo-nazis a ressurgir em Portugal têm aqui algo de sedimentar, depois de 48 anos de fascismo. Mas nunca poderiam implantar-se com força sem apoio externo.

Ainda no passado dia 21 de Abril estava anunciada para Lisboa uma conferência com participação de várias organizações europeias que perfilham a mesma ideologia e anunciavam o desenvolvimento do,«seu activismo na Europa».

A escolha de Lisboa significa, certamente, que a consideram terreno propício para tal tipo de actividades.


4. A operação que a polícia judiciária levou a cabo antes de 21 de Abril comprovou que os neo­nazis, alguns dos quais com antecedentes criminais de violência e agressões, não coleccionavam só símbolos, mas também armas.


5. A reunião internacional de 21 de Abril era patrocinada por um partido formalmente legal, reconhecido pelo Tribunal Constitucional, o Partido Nacional Renovador, que desperta a dúvida pertinente de ser um partido verdadeiro e próprio ou uma fraude à lei.

Não tendo obtido as assinaturas suficientes para a sua formação como partido político, fez um negócio político com um partido já legalmente constituído, o PRD (Partido Renovador Democrático), então crivado de dívidas, que aceitou que estas fossem pagas por alguns indivíduos que nele se inscreveram e que ao cabo de algum tempo, mudaram o programa, os estatutos e os órgãos directivos do PRD, criando o PNR.

A criação de um partido por cidadãos que não tendo a possibilidade de o fazer, por falta do número mínimo de assinaturas requeridas por lei, recorrem aos escombros de um partido já existente legalmente, aproveitando a sua estrutura legal, pode considerar-se um negócio ilícito e fraudulento.


6. O Ministério da Administração Interna tem menorizado os indícios visíveis (e até de ostentação) quer deste partido, quer de organizações a ele directa ou indirectamente ligadas.

É certo que essas organizações procuram, através da mediatização, ganhar um protagonismo que não corresponde à sua marginalidade política.

Na URAP consideramos que é fundamentalmente no plano político, ideológico e cultural que devem ser combatidas as tentativas de reabilitação e desenvolvimento das ideologias, organizações e actividades de cariz nazi e fascista.

Mas seria perigoso se as autoridades menosprezassem o perigo que pode decorrer de iniciativas de carácter racista e fascista no nosso país.


7. O tempo que estamos a atravessar, os baixos salários, o desemprego, a precaridade, levam ao descontentamento e ao desânimo de largas camadas da população e são terreno fértil para a propaganda de soluções de força, xenófobas, racistas, antidemocráticas.

8. A URAP apela a que todos os antifascistas participem numa grande campanha contra as tentativas de branqueamento e reabilitação da ditadura fascista, dos seus protagonistas, da sua política.


Chamamos também a atenção das autoridades portuguesas para o seu dever de defesa da legalidade democrática.

Combatemos muito tempo por ela.

Custou cara a muita gente.

Estão em causa valores tão fundamentais como a liberdade, a igualdade, a justiça.

Não basta serem proclamados pela lei.

É necessário continuarmos a defendê-los, dia a dia.

A URAP continuará presente na luta contra o fascismo, pelos direitos do ser humano, pela democracia."



Publicado por Alfredo às 19:28
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Essencialmente, para o que me for apetecendo. Ideias sobre a sociedade, coisas da sociologia, análise de questões políticas... Comentários à actualidade, assuntos pessoais relativizados e quando me apetecer, também dá para chatear alguém.
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Sociólogo, 28 anos, residente em Coimbra. Bolseiro de investigação na área do insucesso e abandono escolares no Ensino Superior. Mestrando em "Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo".
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